domingo, 18 de setembro de 2011

Cottage

   

    “É já o cair da tarde. A luz do ocaso atravessa a cortina de folhas e galhos da floresta em volta como lâminas alaranjadas, vindas do nada e a fumaça cinzenta, que brota lentamente da chaminé, se esvanesce lentamente, mesclando-se à tênue névoa branca desse fim-de-tarde frio. Estou de pé, parado à porta aberta, esperando... está bastante frio, porém, o ar quente que preenche a casa de conforto, à partir da lareira de pedra cinza, escapa pela porta aberta, aquecendo-me, para que eu espere... poderia esperar no confortável calor da cozinha, enquanto tomo um incitante chá de gengibre, hibisco e canela... mas não consigo inibir a ansiedade que toma conta de mim... depois de alguns meses, enfim, irei conhecê-la pessoalmente... depois de conhecê-la apenas como palavras escritas e imagens estáticas, enfim, ela estará aqui... enfim, poderei tocá-la, sentir sua pele, seus cheiros... enfim, poderei ouvir o som da sua voz, seu rizo, seus sussurros... Calma, devo me conter... sem más intenções... sei que é difícil, pois ela é muito sensual... e tem um conjunto de Pintas-Pescoço-Ombros-Colo de enlouquecer... mas não é isso que planejei... calma...
    Os minutos passam como horas... o nervosismo aumenta, as mãos inquietas demonstram um início de cansaço... Onde estará ela? Terá acontecido algo?.. As sombras começam à crescer em meio aos arbustos... a noite começa à se avizinhar... Repentino, um som surge, ao longe... vai crescendo e crescendo... até que revela sua origem: um carro... ela está vindo... respira fundo... não demonstre nervosismo... O carro, enfim, surge na curva que leva ao chalé... um táxi, como combinado... ele se aproxima e pára... ao me aproximar, posso vê-la atravéz do vidro... ligeiramente diferente das fotos (sempre o somos)... ela sorri... eu abro a porta e dou a mão, para que ela saia... é tudo muito rápido: vou ao porta-malas, retiro as bolsas, pago o taxista, taxi vai embora, convido-a para entrar, entramos... quando fecho a porta e ponho as malas no chão, me dou conta de que não há mais nada entre nós... fios, monitores, distância... enquanto ela ainda está de costas, retiro seu casaco, com delicadeza... com as mãos em seus ombros, eu a viro para mim... ‘- É bom te ver pessoalmente!’ – penso em dizer, mas não digo... apenas a abraço... um abraço sem palavras... um abraço longo e apertado... após o abraço, nos afastamos, aos poucos, porém não mais do que poucos centímetros... ‘É bom te ver, Fábio!’ – ela diz... meu nome, dito pela sua voz, soa como música... sua voz é exatamente como imaginei... ‘É bom te ver também, Laiza.’ – respondo prontamente, contente por poder dizer seu nome...
     Após mostrar-lhe a casa, arrumar suas coisas nas gavetas, ela decide tomar um banho... a viagem foi longa e cansativa, e ela quer recuperar as energias... enquanto ela se banha e se arruma, eu vou até a cozinha, preparar algo para comermos... decido por uma massa simples, com um molho simples de tomate com azeite e manjericão... os pratos já estão postos quando ela chega... preparei a mesa de centro da sala, de frente à lareira, ainda acesa, as taças de cristal verde refletia as chamas da lareira e a difusa luz que vinha da cozinha com pequenos brilhos cintilantes... convido-a para sentar... as almofadas postas lado-à-lado no chão nos deixam próximos o suficiente para nos esbarrarmos de leve, enquanto comemos... o Merlot amadeirado, especialmente escolhido para esta ocasião, inunda a casa com o aroma de uvas maturadas e álcool... terminamos a refeição ao mesmo tempo e ficamos conversando por um tempo... falamos sobre diversas coisas... impressões, coisas pessoais, música... tudo que é necessário para que nos conheçamos melhor (como se já não tivéssemos conversado o bastante, durante todo o tempo em que nos conhecemos)...

    Nas altas horas da noite (não sei ao certo à que horas...), num único instante... num rápido instante... o silêncio... o tipo de silêncio que se instala quando há algo à ser feito... nossos rostos se aproximam lentamente, até que ficamos tão perto um do outro que posso ver meus próprios olhos refletidos nos dela... nossos lábios se tocam, de leve, se roçam... seu hálito, ligeiramente ofegante e perfumado com o vinho, inunda minhas narinas com o excitante aroma, vindo diretamente do seu peito... posso ver um pedido em seus olhos, pouco antes de eles se fecharem... atendendo à esse pedido, eu a beijo... um beijo profundo, sem fôlego... um beijo desejado por meses... o gosto da sua saliva age rápido, como uma droga, me fazendo querer mais do que apenas ele... ainda com a sua boca na minha e com nossas línguas se enroscando, eu levanto com ela nos braços e me dirijo ao quarto... ponho-a delicadamente na cama e me afasto, para gravar na mente este quadro lindo... o quarto, ligeiramente rebaixado em relação ao resto da casa, é forrado, do teto ao chão, em uma vibrante madeira castanho-avermelhada, a cama se projetava para além dos limites das paredes, separada do exterior por uma janela que a cobria até o alto, como um solar... a floresta podia ser vista pela janela... a névoa que nublava a tarde já tinha se dissipado e a Lua brilhava no céu... o luar, se derramando em sua pele branca, lhe deixa com o glamour de uma fada, como a visão de uma deusa... ela sorri, um sorriso gracioso como um convite... viro-me e caminho até a porta que, lentamente, fecho... não há mais ninguém ali... estamos à quilômetros de qualquer outro ser humano... mas, ainda assim, eu a fecho... antes da porta se fechar totalmente, eu ouço ela dizer: ‘Anda logo, querido! Não aguento mais esperar!’... ‘Seu desejo é uma ordem’ – respondo... a porta se fecha...”

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Twice Upon a Time...




     “Embora a água da banheira estivesse quente e convidativa, não a queria ali... Seu corpo molhado tinha um brilho provocante... mas queria que esse brilho, que iluminava sua pele branca, viesse do suor de seu corpo, não da água. Levantei... a água que escorria pelo meu corpo formava uma pequena cascata, que descia pelo meu peito, serpenteando pelo meu abdômen, circundando meu membro, ereto e latejante de desejo e, descendo pelas minhas coxas e pernas, findava por encontrar a fonte da qual veio ... Estendi a mão para o objeto do meu tesão, que me retribuiu com a sua própria, um sorriso encantador e um morder de lábios que deixava claro que sua libido era toda minha... Com sua delicada mão na minha (e com uma leve eletricidade conduzida por entre nossos dedos) ela se levantou... um arrepio percorreu-lhe a pele e entumesceu seus mamilos rosados (não sei se pelo contato com o ar frio ou pela sensual expectativa de entregar-se outra vez a mim)... saiu da banheira, um pé atráz do outro, com um misto de charme e cautela... Sua pele úmida refletia o brilho prateado da lua, dando-lhe o aspecto de um anjo, cintilando de pureza... porém, seu olhar lânguido por querer-me, aparentava com o de uma succubus, faminta pela minha carne...
     Ela era direta... quis abraçar-me, beijar-me, morder-me... embora quisesse saciar a sua fome voraz por um homem, eu a contive, maliciosamente testando o ímpeto daquele demônio vestido nas asas de um anjo...
Peguei a toalha (a minha toalha) e pus-me à enxugá-la, primeiramente pelo rosto, para que ela pudesse sentir meu cheiro no tecido felpudo e úmido... Sequei lentamente seu corpo, acariciando suavemente cada centímetro da sua pele macia e branca, provocando-lhe arrepios e, vez por outra, gemidos baixinhos... Após enxugá-la por completo, notei seus mamilos entumecidos, coroando cada um de seus seios, agora maiores (a magia do tesão, que poucos tem a sensibilidade de perceber)... o banheiro ficou tomado pelo seu cheiro, agora diferente... era cheiro de libido... era cheiro de prostituta... o cheiro que toda mulher abomina, mas que, invariavelmente, toda mulher exala, quando o tesão chega ao ápice... quando a cópula é inevitável... quando a vagina estremece, exigindo ser preenchida por um pênis, transbordando o delicioso néctar de suas entranhas sagradas de mulher...
     A conduzi com pressa ao quarto e, chegando à cama, deitei-a carinhosamente... ela me olhava com gula... como quem estava prestes à me devorar por inteiro... à cada beijo, mordia meus lábios... cada carícia era respondida com um ronronar feroz, quase o rugido de uma felina no cio e, à cada rugido, suas unhas cravavam em minha pele, provocando um misto de dor e prazer... ao cheirar seus cabelos molhados, mordia o lóbulo da sua orelha e lambia o alto do seu pescoço, provocando-lhe mais arrepios... à cada arrepio, ela gritava meu nome... Ela me queria já... ela me queria urgente... mas eu ainda estava só começando à brincar...
     Passeando com a minha língua pelo seu pescoço, desci aos poucos para suas clavículas, lambendo e beijando seu colo e seus ombros, parando em cada uma das suas pintas (que tanto me enlouqueciam) e beijando uma à uma, num ritual de veneração à essa maravilhosa constelação de sinais... Descendo aos seu seios, encostei meu rosto em seu peito, roçando meus nariz e lábios no vale entre suas mamas, que comprimia, com as mãos, em cada lado de minha face... não me demorei ali... aquele belo par macio e aveludado me convidava... abocanhei-os, lambi-os, mordisquei seus mamilos, os apalpava com uma das mãos, enquanto a outra se ocupava em brincar com o botão rosado e com os lábios de sua vulva quente e úmida de desejo... Desci pela linha alba de seu ventre, acariciando sua barriga com os lábios e percebi a sua respiração cada vez mais ofegante, à medida em que me aproximava do seu monte de Vênus que, cruelmente, pulei, deixei que passasse, indo juntar-me aos seus joelhos... ao me aproximar deles, notei que estavam próximos demais para que eu coubesse entre eles... dei-lhe, então, uma ordem: “Vamos, minha querida! Abra suas pernas para mim!”, que foi prontamente atendida, acompanhada de risos de aprovação... subi pelas longas coxas de suas pernas compridas (que ela chama carinhosamente de “pernocas”)... beijava-as e mordia-as, vagarosamente me aproximando da flor de seu prazer... ao chegar à parte mais suculenta de sua carne, não fui à ela diretamente (outra pequena crueldade), ao invés disso, pausei-me diante dela, por alguns segundos, deixando que ela enlouquecesse por uns momentos, sentindo o calor do hálito quente da minha respiração... depois dessa pequena tortura, beijei cada um de seus lábios de leve, passando, em seguida, a ponta da minha língua entre eles, sem deixar que entrassem de imediato... então a beijei... beijei como se beijasse a sua boca... seu lábios nos meus, minha língua passeando pelos lábios menores, pela entrada da sua vagina e roçando-se com força no pequeno e rígido botão dessa deliciosa orquídea... uma vez após outra... e outra... e outra... a cada vez dando mais atenção ao seu, tão importante, clítoris... enquanto a minha língua serpenteava e batia, rapidamente, naqueles poucos milímetros de prazer tão intenso, introduzi lentamente meu indicador em sua vagina, acariciando em seu interior e explorando-a... logo introduzi, também, o médio... meus dedos saíam e entravam, e giravam, e saíam novamente, para tornar à entrar, primeiro devagar, acelerando aos poucos, até que quase acompanhassem a velocidade da minha língua, que parava em certos momentos, para que eu mordesse seus lábios e chupasse seu botão, para depois recomeçar...
     Minha adorada se contorcia, e gritava, e gemia... Suas mãos agarravam-se firmes em meus cabelos, como Godiva, agarrando-se à crina de seu cavalo, montado em pelo... os leves espasmos dos seus músculos e o alto volume dos seu gritos anunciavam o orgasmo que se aproximava... quando ápice do prazer apoderou-se da minha Vênus, ela subitamente fechou as pernas, quase sufocando-me entre suas coxas e, por pouco, afogando-me nos fluidos de seu gozo (á, se morresse ali... que melhor momento para um homem morrer, senão entre as pernas de uma linda mulher...)... quando, enfim, soltou-me, respirei fundo (ainda não tinha sido dessa vez) e a escalei por sobre a cama, fitando em seus olhos, caminhando com os braços e ombros, como uma fera, prestes à devorar sua presa... Foi quando a doce succubus se deu conta: não havia nenhuma pobre vítima humana em sua alcova... quem deitava-se com ela era um ínccubus, que brincara maliciosamente com ela todo o tempo, e que estava prestes à exaurí-la...
     “Foi maravilhoso!” – Ela disse... ao que, prontamente, retruquei: “Como, ‘foi’? Eu estou apenas começando!”... disse isso enquanto acariciava os lábios de sua vulva e seu clítoris com a glande latejante do meu mastro, provocando-lhe um sorriso de contentamento... Minha querida abriu a boca, na intenção de dizer algo, quando a surpreendi, introduzindo de uma só vez, com força e subitamente, todo o meu pênis... ela envergou seu corpo, jogando sua cabeça para tráz e erguendo seu busto, soltando um grito de prazer... antes que pudesse se recompor do susto, estoquei-lhe mais uma vez... mais uma vez... e mais uma vez... uma após a outra... em seus balbuceios, pude entender, quando ela conseguiu pronunciar algo: “Você vai me matar!”... Perguntei-lhe se queria que eu parasse... a resposta foi um quase inteligível “n-n-n-ã-ã-o-o-o”... quando seu olhos já não conseguiam manter-se abertos e, tampouco, fechados, percebi que a mulher à quem fodia (sim, esta é a palavra) era minha... eu era seu dono, e fazia dela o que bem quisesse... acelerei os movimentos do meu quadril, que batia violentamente contra o dela, provocando uma onda de choque que percorria seu corpo nu, fazendo seu busto balançar como quem dança... desacelerava, vez por outra, fazendo movimentos circulares, ondulando o quadril, o que fazia com que ela me apertasse com os braços, cravando suas unhas em minhas costas... Quando não era mais possível segurar o gozo, eu acelerei ao máximo que pude, sempre mantendo fortes, as minhas estocadas... A, agora, minha mulher, gemia alto, chamando meu nome aos berros, e pedindo: “Mais! Mais! Não pára! MAAAA...”... Em seu último grito, gozamos... gozamos juntos, como só acontece em nossos devaneios sexuais de juventude... meu pênis explodiu como um vulcão, enchendo a sua vagina pulsante em gozo, que sorvava cada gota, comprimindo-o e apertando-o deliciosamente (somente aqueles que experimentaram tal maravilha compreendem o que é)...
Exaustos e felizes, ainda entorpecidos pelo orgasmo, permanecemos assim, eu sobre ela e, ainda, dentro dela, por mais alguns minutos... nos beijamos apaixonadamente, antes de eu retirar-me de dentro dela e deitar-me ao seu lado... estávamos cansados... e a noite estava acabando... Minha amante virou-se de costas e, com pequenos pulinhos na cama, encostou-se em mim, que a abraçei...
     Assim, nus, abraçados e com a luz da aurora despontando por entre as folhas das árvores, adormecemos, após a primeira noite, de tantas outras noites que se seguirão, de nossa história, que promete ser tão ardente quanto essa nossa primeira noite...”

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Yggdrasil


Yggdrasil,
Vejo-te tão distante,
Tão inalcançável para minhas mãos.
Quero estar junto a ti...
Quero poder tocar tua sedosa casca,
Sentí-la na ponta dos meus dedos trêmulos,
Dar-te carícias com meu rosto.
Quero poder arrumar-lhe as folhas,
Acariciar teus ramos,
Tocar teus galhos com carinho.
Quero provar teus frutos,
Degustar-lhes o doce sumo,
Segurar-lhes, firmes, com as mãos...
E sorvar seus leite e mel,
Como quem beija os lábios de uma virgem.
Quero cheirar tua flor.
Quero beijá-la,
Sentir seu delicioso néctar
Com a ponta da minha língua salivante,
E beijá-la, e cheirá-la...
Beijar esse róseo e intumecido botão,
E beber do orvalho que o faz úmido,
Abraçado em teus macios troncos
E aloelhado sobre tuas raízes.
Quero regar tua semente,
Com paixão, com urgência,
E com a minha própria vida,
Deixar nela meu sangue,
Até que não haja em mim
Mais vida para verter.
E depois deitar ao teu lado,
Descançar feliz,
E dormir um sono de criança,
Junto a ti,
Yggdrasil.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Paralela...


Em algum momento, tudo surgiu... BOOM!! Foi assim, num único instante (que nem sequer existia), que tudo surgiu... contra todas as expectativas, um único instante, um único momento e, BOOM... Uma única probabilidade que se fez em duas, então em três... então em várias, até que não pudessem mais ser contadas. O universo se expande nas possibilidades... não no tempo, não no espaço, mas nas possibilidades... tudo que pode acontecer, acontece... o dado sempre cai com todos os dados para cima... seis chances, seis possibilidades... e o universo cresce... tudo é o aqui e o agora... o gato está vivo... mas também está morto... infinitas realidades paralelas onde co-existimos com nós mesmos.

Quantas vezes nascemos? Quantas vezes morremos? Quantas vezes nem sequer viemos ao mundo? Em quantos lugares estamos? Quantas coisas vivemos? Quantos somos nós?

Divagando em algum lugar muito além daqui, aos poucos desço, de volta ao mundo. A Via-Láctea, como deveria ser, vai tomando seu lugar no céu. A noite está fria, porém linda... ainda adimiro o piscar cintilante das estrelas, enquanto atravesso a janela aberta, roçando meu pensamento, de leve, nas cortinas que ondulam com a brisa. A penumbra escura que preenche o quarto não permite aos meus olhos distinguir as formas da mobília, memorizadas instintivamente, quando ainda estavam banhadas na trepidante luz das velas, que queimaram por completo e apagaram, enquanto eu viajava pelo infinito. O aroma de canela e a textura dos lençóis me trazem, enfim, à realidade... uma doce realidade!

Deitada de bruços, despida, com a cabeça em meu ombro e suas pernas entrelaçadas às minhas, minha amada dorme, profundamente, restaurando suas energias, tão calorosamente empregadas nas nossas recentes horas de amor. À algum tempo atráz eu consideraria esse um momento quase impossível de acontecer... mas, contra todas as possibilidades, aconteceu! Tudo sempre acontece... em algum lugar (a expressão não é exata, mas é a melhor que encontrei), um outro “Eu” está sozinho... talvez Ele esteja, ainda, na casa dos seus pais... talvez Ele esteja em sua própria casa... talvez nem esteja só, mas em companhia de alguém com quem não gostaria de estar, meramente para não estar sozinho... Ele pode estar aqui, agora! O “Eu” que não está vivendo esse momento...

Será que é isso que acontece quando sonhamos, quando nos entregamos, em nossos pensamentos, aos delírios de nossos desejos? Existirá algum mecanismo quântico desconhecido que possibilite o encontro de nossos “Eus”?.. Ele quer estar aqui! Não o culpo, pois não trocaria esse momento por nada!.. Minha amada se move. Seu sono parece inquieto... Ajeito uma mexa de seus cabelos que lhe cobria o rosto... ela jamais permitiria que eu fisesse isso, se estivesse acordada, mas não resisto, tenho de ver seu rosto. Está voltada para mim... sua cabeça está recostada em meu peito... posso ver a pinta que lhe enfeita face esquerda, logo acima da maçã do rosto... como eu amo essa pinta... como eu amo esse rosto... como eu amo essa mulher! 

Ele deve estar com inveja desse momento. E isso me assusta! Tenho medo de que seu desejo se torne realidade... de que, no fim das contas, Ele tome meu lugar, me condenando à sua cruel realidade de estar sem ela... Sinto um arrepio, e um aperto no peito, pelo simples pensamento de que esse horror aconteça. Lágrimas brotam em meus olhos... eu respiro fundo... não pode ser... não tenho motivos para chorar... não de tristeza, pois essa tristeza não é minha... talvez seja a Dele... talvez Ele a chore... Minha querida sorri... que sonhos estará tendo? Estará revivendo nossos momentos de paixão? Ou, quem sabe, sonhará com um lindo futuro para nós?.. O frio aumenta, à medida que a madrugada se aprofunda... ela treme um pouco... talvez devesse fechar a janela, mas não me atrevo à levantar... eu poderia acordá-la... puxo os lençóis, na tentativa de cobrí-la mais um pouco... o mover do tecido por sobre seu corpo evidencia suas curvas de mulher... a visão de seu corpo, ainda nu, embaixo das cobertas, o roçar dos seus seios no meu abdômen, o calor e o tato da sua pele na minha me excitam... mas devo me conter... Ele ainda está aqui, espreitando a nossa intimidade... além disso, eu quero deixá-la descansar... eu mesmo estou muito cansado... mas meus pensamentos não me permitem dormir... talvez Ele não me deixe dormir, sempre pensando, sempre sonhando...

Uma brisa sorrateira ergue uma mexa de seus grossos cabelos escuros em direção ao meu rosto, trazendo consigo seu doce perfume cítrico... Morda-se de inveja, pois sou eu que o sinto... Mas, por que eu? Por que justo eu? Talvez eu tenha tomado as atitudes certas, em algum momento da minha vida... talvez eu tenha tido sorte... Talvez não haja um porquê! Talvez, nesse jogo de possibilidades, eu esteja aqui apenas porque algum de mim tem de estar! Eu... justo eu... para a minha felicidade, eu... Mas, no fundo, não importa... o que importa (endossado pela palpável realidade em minha volta) é que EU estou aqui, abraçado à minha adormecida amada, despidos, após maravilhosos momentos de velas, incenso e amor, nessa linda noite estrelada de Lua Nova. Essa certeza me acalma... sobrevindo, enfim, ao sono.

Acho que Ele se foi... não tenho como saber... O que será que eu sou para Ele? Um sonho?.. Um devaneio?.. Um pensamento?.. Uma esperança?.. Não!.. Talvez eu seja apenas um texto, que Ele escreve, triste, num momento solitário de inspiração...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Um (quase) Breviário...


Antes de qualquer coisa: Sim! Isto é um plágio descarado (a imitação é a forma mais sincera de homenagem)... Então, vamos lá!
Gosto de dormir tarde; gosto de acordar cedo (mas só na MINHA casa);  não consigo dormir quando alguém ronca; o nascer e o pôr, do Sol e da Lua, são as minhas horas preferidas do dia; prefiro a Lua, mas não tenho nada contra o Sol, só não gosto de sentir calor e nem de me queimar (se tiver uma briza fresca e filtro solar fator 60 tá ótimo); pelos mesmos motivos, não sou muito adepto de praia... só à noite; prefiro os Equinócios aos Solstícios; não tenho o hábito de comer muito, durante o dia; acho maniçoba um prato detestável; prefiro massas à arroz com fejão; amo cozinhar; já fiz curso de culinária; só cozinho para quem eu gosto; adoro quando elogiam a minha comida; faço um Cassoulet fenomenal (não é feijão branco, é fava); meu nome significa “nascido de uma fava”(FAVA, não FAVO... tipo, feijão, ervilha, soja, baunilha... fava quer dizer vagem)... é uma coisa meio feérica, nascer de uma vagem; adoro vinho tinto; não gosto muito de vinho branco; gosto um pouquinho de vinho suave; adoro vinho do porto; adoro queijos; gosto muito de carpaccio (sei que é carne crua, mas eu gosto); quando posso, e quando faz frio, bebo conhaque aquecido (conhaque de verdade, feito de vinho); acredito que um uísque, ao final do dia, é um bom hábito; um cálice de vinho antes de dormir, também; bebo vodka de uma só vez (entorno a dose, mas não tomo uma atrás da outra); prefiro cervejas escuras e quentes; não gosto de ficar bêbado; não gosto de bêbados... mas, se você for meu amigo(a), cuidarei de você como se você fosse meu filho; não dispenso chocolate, café, vinho e/ou chá de hibisco (se não quiser dividir, não me ofereça!); adoro as cores: preto, terra de Sienna queimada, sombra queimada, tabaco, azul celúreo, verde musgo e carne (referências de Rembrant); costumava odiar o bege (estou revendo meus conceitos), mas gosto de palha, marfin, creme e ocre; não gosto de marrom, mas não qualquer marrom... o marrom-cocô... é detestável... mas gosto de mogno, terras em geral e sombras; adoro Da Vinci; adoro Wermeer; adoro Rembrant; adoro Monet, Manet, Renoir, Degas e todos os demais impressonistas (mas acho que Gaugin fumou muita erva no Taiti); gosto muito de Dalí; não gosto de Picasso; gosto de Art Noveau e do Toulouse-Lautrec; não gosto daquelas telas imundas de tinta, que alguns cismam em chamar de arte (sentar o traseiro de uma prostituta numa tela é mais arte do que aquilo!!); acho que Andy Warhol (é assim que se escreve?) foi um grandissíssimo babaca; odeio pseudo-intelectuais que dizem entender de tudo, que julgam tudo, mas que jamais desenharam mais do que “bonecos-de-palitinho”, ou escreveram mais do que uma linha de algo plausível; já tive uma gandola verde-oliva, bem antiga, do exército, que não tirava por nada no mundo (quem se lembra dela?); já usei boina; até um passado recente, usava lápis-de-olho; prefiro botas à sapatos ou tênis; por falar nisso, detesto tênis (uso por força das circunstâncias); prefiro usar calças apertadas à folgadas; odeio cueca de fora; detesto meias brancas; aliás, roupa branca, só se for bata (adoro batas); mem me imagino com os cabelos curtos; odeio quando me dizem p’ra cortar os cabelos, mas gosto quando os elogiam (eu sei que não são os cabelos mais lindos do mundo, mas eu gosto deles); não gosto de fazer a barba (quem gosta?), mas é preciso; tomo banho e depois borrifo essências (de preferência canela, jasmin ou rosas); não gosto de desodorante com perfume; sim, eu sou vaidoso (no limite do possível e do plausível); pareço extrovertido, mas é só p’ra esconder que sou tímido p’ra caramba; quer me ver vermelho? me faça um elogio sincero (se não for, eu o tomarei como deboche); as pessoas acham que levo jeito para Stand-up Comedy, mas eu não sei não; não gosto muito de palavrões, os evito sempre que possível (mas tem vezes que não dá); falo “tu”, ao invés de “você”; me refiro às pessoas como “cara”, sejam homens ou mulheres (mais ainda prefiro dizer seus nomes); de vez em quando, digo coisas do século IX, como algaravia, doravante, verborragia, assaz (até mesmo eu me assusto, quando percebo o que disse); não gosto de quem fala “colega”; não gosto quando chamam o motorista do ônibus de “piloto” (embora eles não pareçam se importar); chamo garçons de bar de  “comandante”, “capitão” ou qualquer coisa náutica; já passei incontáveis madrugadas em claro, jogando RPG e tomando café; já faz tempo que não jogo; eu prefiro o AD&D; gosto de filmes de piratas; acho filmes de acão mentirosos mais engraçados do que qualquer comédia; adoro filmes de terror antigos, tipo Drácula (Bela Lugosi), A Marca do Lobisomem (idem... o remake ficou legalzinho), Frankenstein (Boris Karlof... parece nome de vodka), Nosferatu (Max Schreck); gosto muito dos filmes da Hammer (As Filhas de Drácula... Carmilla, A Vampira de Carnstein... Luxúria de Vampiros... A Condessa Drácula... etc.); sim, eu gosto de filmes de vampiros; sim, eu DETESTEI Crepúsculo; eu odeio filmes de bichos que falam (a Sessão da Tarde já foi melhor); eu assisto filmes de zumbis (por mais toscos que sejam); eu assisti Feios, Sujos e Malvados (o filme mais tosco de todos os tempos); eu também gosto de desenhos animados; eu ainda assisto o Pica-Pau; meu filmes preferido são (não, necessariamente em ordem): Wall-E, Entrevista com o Vampiro (assisti 7 vezes, no cinema... três seguidas!!!), Exterminador do Futuro 2 (Shwarza rules, You Could Be Mine também), Herói e Watchmen; assistia Changeman e Jaspion, quando era criança; fui um dos espectadores do Bozo (coisa de velho!!!); preferia Mara Maravilha à Xuxa; Morri de medo de Alien, O Oitavo Passageiro, quando vi pela primeira vez (na segunda, passou); vejo mais sentido na Maria do Bairro do que nas novelas atuais da Globo; adoro Two and a Haf Men e Everybody Hates Chris; eu assistia Profissão Perigo! (MacGyver), Esquadrão Casse A e Missão Impossível; acho The Simpsons um seriado de muito bom gosto; sempre odiei Beavis and Butthead e South Park; a MTV já foi melhor; eu curto o Kiss; de vez em quando eu ouço We’re Not Gonna Take!, do Twisted Sisters; eu gosto de Bon Jovi, sem vergonha nenhuma; ouço muito Gothic, Doom, Gothic/Doom e Black Metal, mas prefiro ópera e música barroca; eu gosto de Jazz; eu preferia o Prince; gosto das músicas do Chico Buarque, mas detesto a voz do Chico Buarque; não gosto do Caymi (Caimy, Caymy, Caimi, ou seja lá como se escreva, não me importo); quando descubro (ou redescubro) uma música, ouço até estourar os ouvidos; gosto de vocalistas ou corais femininos; minhas músicas favoritas são: Greem Man – Type 0 Negative e Wicked Games – Chris Isaac; minha vida tem trilha sonora; já fui vocalista em uma banda de rock; toco flauta doce, clarineta, saxofone e oboé (pelo menos, eu acho que ainda toco... já faz tanto tempo!); tenho um desejo secreto (que agora não é mais) de aprender à tocar violão, acho lindas as peças de Bach para violão; desenho e jogo fora, mas nem tudo; tenho verdadeira fixação por animações; compro desenhos para minha filha só p’ra assistir os Making-off’s; prefiro curtas à longas-metragem; sou detalhista e perfeccionista, quando desenho (até demais para minhas próprias capacidades); tenho um bloqueio: não consigo terminar um desenho de quem amo... tenho sempre o receio de que não vai ficar à altura do que sinto; adoro escrever; adoro ler; adoro poesias; adoro crônicas; gostaria de saber escerver poesias, mas não sei (bem que tento); estou escrevendo três livros que estão, atualmente, “na gaveta”; prefiro escrever à mão; eu leio quadrinhos; meus personagens favoritos são: Batman, Sandman, Morte e Constantine (o filme foi fraquinho, fraquinho); meus livros de cabeceira são: A Metafísica, de Aristóteles... O Príncipe, de Machiavel (comentado por Napoleão Bonaparte), A Origem das Espécies, de Charles Darwin... e algum livro de poesias (de preferência, de Olavo Bilac); adoro História; adoro Mitologia (qualquer Mitologia, não só a greco-romana); adoro estrelas (astronomia, astrologia, não importa); sei o nome de todas as estrelas de Órion (quer ver? Saiph, Rigel, Betelgelse, Bellatrix, Mintaka, Alnilan e Alnitak... as sete filhas de Órion); sim, eu ouço estrelas; eu falo com a Lua; eu converso com bichos, principalmente se forem gatos  (gatos me entendem); de vez em quando, eu falo sozinho (principalmente quando tenho algum texto nascendo na cabeça... mas jamais em público); converso com meus amigos na minha mente... jogo conversa fora, peço conselhos (de vez em quando, não é que eles respondem!); eu tenho sonhos malucos, mas que sempre estão certos (quando consigo entendê-los); não, EU NÃO PRECISO SER INTERNADO; só trabalhei no que gosto uma vez; não misturo trabalho com amizade (sempre dá problema), mas posso ser amigo daqueles com quem trabalho; fui recenseador do IBGE (e fui muito maltratado por isso), principalmente pelos cachorros; aliás, não gosto de cachorros; gosto muito de gatos; queria ter um Abissínio; também queria ter um corvo (mas o Ibama não vai deixar); adoro bichos, com exceção de cachorros (e, de preferência, fora do cinema); já fiz Ninjutsu (aprendi à rolar sem fazer barulho, à andar sem fazer barulho, à respirar sem fazer barulho, à usar um bastão curto e à empunhar uma ninja-tô), mas não sou ninja; sou bem mais flexível do que acredito ser; já dormi em um armário (nem me peçam p’ra contar essa estória... minha lombar jamais foi a mesma, depois disso);  já fiz uma aula de Yoga (Do-In, na verdade... mas voltarei lá... tenho pretensões de praticar Yoga); já fiz Tai Chi Chuan, mas não me lembro de nada (só do “Hadouken”); já fiz duas ou três aulas de sapateado; eu sei dançar Valsa;  acompanhava as minhas irmãs na aula de balé (mas só assistia, e acredito que saiba dançar melhor do que elas, hoje em dia); eu assisti o Bolshoi na Quinta da Boa Vista; adoro a Quinta da Boa Vista; adoro o Jardim Botânico; adoro a Floresta da Tijuca; adoro Itatiaia, mas nunca estive lá (é algo meio cármico... mas irei lá, em breve); já fui escoteiro (11º Grupo Escoteiro – Siqueira Campos); adoro acampar; adoro andar no meio do mato (se tiver uma cachoeira, então!!); adoro dormir sob as estrelas, em noite de Lua nova; mas não dispenso um chalé; gostaria de ter um, na montanha (mas só quando eu tiver alguém p’ra levar lá); sou romântico, mas não sou brega; gosto de velas, incensos, pétalas e aromas; gosto de atiçar os sentidos, mas não como um animal... e sim como num ritual; uma camisola sincera é mais sensual do que um espartilho forçado; por falar em camisolas, eu adoro mulheres de camisola... adoro despí-las... quando eu  movo as alças com as pontas dos dedos por sobre os ombros e elas caem, “escorrendo” por sobre os seios e o corpo e se “derramando” no chão como água é, simplesmente, mágico; um olhar de carinho, uma carícia na fronte e um beijo suave podem ser mais afrodisíacos do que qualquer erva; adoro ombros; adoro pescoço; adoro nuca; adoro o colo; sou apaixonado por pintas (principalmente no rosto); sou homem, hétero, mas tenho amigas (bem mais do que amigos); trato as minhas amigas como namoradas (só que sem beijo, sem “pegação” e sem sexo)... exceto quando elas tem namorado, ou quando eu estou namorando (nada forçado... é um respeito natural); gosto de andar de mãos dadas com elas e de ficar abraçado com elas (mas sem maldade... tem gente que não entende... à princípio, nem elas... mas, depois, elas veem que esse é o meu jeito mesmo e levam numa boa... a maioria, pelo menos); sempre que posso, as cumprimento com um abraço bem demorado, e me dispesso delas igualmente; nem sempre eu falo o que sinto; nem sempre uma mulher por quem me apaixono sabe que sou apaixonado por ela... quando sabe, é porque eu disse... se eu disse, é porque a considero muito especial; sou muito exagerado, às vezes; e muito dramático, também (tanto que irrita); não sou tão óbvio quanto acredito ser; eu “viajo” sem precisar tomar, fumar, cheirar, inalar ou injetar nada; já tomei dois porres FENOMENAIS; não fumo maconha; já tomei chá de trombeta, LSD, chá de cogumelos, mas nunca vi Smurfs; nem queira saber por quais tipos de buracos eu já me enfiei (no sentido não-sexual da coisa); desconfio de quase tudo e de quase todos; defendo meus pontos de vista como um cavalo selvagem que se recusa à aceitar a sela... mas, com carinho e paciência, sou facilmente domado (se isso acontecer, você terá um amigo para toda a vida); eu deprimo quando acho que não gostam de mim (mas só quando eu gosto... se não gostar, dou graças à Deusa); sou pagão, com orgulho; já vi e vivi coisas que, se eu contar para a minha família, eles me internam; minha mãe não sabe o que é ser pagão, e nem entende quando explico; não gosto quando me chamam de macumbeiro (nada contra... mas não sou); nem quando olham torto p’ra mim quando descobrem que sou pagão; eu ignoro crentes que batem na minha porta, como se eles, simplesmente, não estivessem lá; adoro criancas; quando interajo com uma, eu pareço uma; odeio quando tentam “minar” os sonhos de uma criança... criança tem de sonhar, criança tem de ser lúdica, tem que acreditar em fadas e em duendes; à propósito, eu acredito em fadas e duendes; detesto violência, mas acho que é um mal necessário, dependendo da circunstância; odeio quando tenho que recorrer à violência, principalmente porque, quando sangue sobe, eu não sei bater p’ra doer, apenas... tem que ter o som de algo quebrando (nem que seja eu!!); eu gosto de armas de fogo, mas quando usadas para os fins corretos; não, eu não tenho uma; não, eu não vou comprar uma; sou louco por espadas; não tenho medo da morte; não tenho medo de quase nada; a única coisa que temo é que as pessoas à quem amo sejam tiradas de mim repentinamente; tenho muitos receios, todos eles tem à ver com magoar alguém; acho que abandonei alguém, na minha vida passada (ou fui abandonado); eu lembro de algumas vidas passadas minhas; eu sei fazer regressão (mas só em mim mesmo... nunca tentei em outra pessoa); sei fazer as pessoas falarem segredos enquanto dormem (por questão de ética, não faço isso sempre... sempre); às vezes, quando eu sopro, por mais abafado que esteja, sempre vem uma brisa fresca (creio que a física explique, mas jamais procurei resposta para isso); p’ra finalizar, quando eu começo à escrever, eu não paro mais... então é melhor parar por aqui!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O que Aconteceu? (Parte I)


         

   “O que aconteceu?” , é a única pergunta que lhe vem à mente, como se nada mais houvesse antes dela, como se nada mais tivesse alguma importância; nem a chuva fria como as almas, que lhe açoita a pele como um carrasco armado com  mil navalhas de gelo,  nem a lacerante dor de cabeça, nem o Maelstron de vinho e vodka, que gira, num pavoroso turbilhão, em seu estômago e em sua cabeça...
            “O que aconteceu?”, se pergunta novamente, enquanto cerra os olhos, na tentativa de reconhecer as marcas do caminho que percorre. Em vão... jamais estivera ali antes... nem em seus sonhos, nem em seus pesadelos... Nem ao menos sabe como chegou ali, ou como ir embora...
            “O que aconteceu?” O abraço em si mesma, na inútil tentativa de conter o frio, lhe faz descobrir a roupa rasgada, como se tivesse sido atacada por feras, e os ferimentos que o frio, até então, entorpecera... há sangue... Meu deus!.. Há sangue... Muito mais do que seus ferimentos seriam capazes de verter... por todo lugar... em seu peito, em seu ventre, em suas pernas, em suas mãos... muito mais sangue do que a chuva é capaz de lavar... Meu deus!.. Há sangue...
            “O que aconteceu?” Súbito, se volta para tráz... quer saber de onde veio... Não há espanto ao descobrir o rastro de sangue que deixou ao longo de um longo percurso...
(continua)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Baila Comigo...



- Olá...
- Olá...
- Já faz um tempo que a gente não conversa, não é?
- É, faz sim... quer dizer... nem tanto...
- É verdade, nem tanto...
- Por que nascemos assim, tão distantes uma da outra?
- Não sei... mas, de que outra forma dançaríamos tão bem uma com a outra? Por acaso não gosta de dançar comigo?
- Não é isso! Gosto, sim! É que... bem... poderíamos estar juntas...
- É, poderíamos... seria bom te ter ao meu lado... mas gosto assim... posso te olhar nos olhos... além do mais, de que outra forma seríamos tão completas? Eu adoro o modo como nossos passos se encaixam...
- É engraçado...
- O quê?
- Eu é quem deveria ser a “cabeça” aqui...
- E não é?
- Claro que não! Quem pensa, quem analiza, quem pondera é você! Eu só sonho... e não deveria, não é?
- Não é bem assim! Eu sonho também... sonho muito... mas fico com esses sonhos p’ra mim... Além do mais, você pensa bastante, também... de que outra forma poderia sonhar, senão pensando?
- Ah, mais não é a mesma coisa!
- Somos diferentes... porém iguais... temos esse jeito de “trocar de identidade”, que só a gente tem... a gente se entende... se fosse diferente, talvez não dançássemos tão bem juntas...
- Você acha?
- Acho sim... adoro a nossa valsa...
- Valsa, dança... você é tão lúdica!
- Viu? Eu também sonho!
- Quando é que eles vão descobrir?
- O quê?
- O nosso bailar... será que vai demorar muito?
- Não sei... Será quando aqueles dois se entenderem, eu acho...
- Pena que eles não dançem, como nós...
- É... e foi por um pouquinho...
- Nem tanto... mas foi... porém, fico feliz assim...
- É? Por quê?
- Por que, se eles se encontrassem, nós teríamos nos atrazado... e não só nós, mas os outros pares também...
- É verdade... então deixa aqueles dois se acertarem... além do quê, o tango daqueles outros dois é fabuloso... e aquele bolero?
- É, também acho... Salão cheio, não é?
- Pois é... se aqueles dois tivessem chegado antes, estariam sozinhos aqui... tomando conta do salão... mas assim... assim, não... temos um belo baile...
- É verdade...
- Então? Vamos ficar conversando? Ou vamos dançar?
- Eu, simplesmente, amo dançar com você!
- Então, vem cá! Baila comigo!